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sábado, novembro 03, 2007

Instinto Secreto (Mr.Brooks)


Não era o filme que eu queria assistir de início. Mas o Cinemark da minha cidade não passa exatamente tudo que eu quero assistir - aliás, só não estou mais triste por esse Cinermark não participar da segunda-feira de promoção com filmes brasileiros a 2 realetos porque não terei um minuto para lazer/prazer no dia 05/11. Sendo assim, vamos selecionando de acordo com o restrito leque que nos apresentam.
O filme Instinto Secreto tem um mote um tanto americano. Um "serial killer" é na verdade um homem de grande sucesso, um premiado empresário. Ele consegue, por ser muito rico e inteligente, permitir que seu prazer de matar não seja de domínio público e nem mesmo de domínio familiar. O longa se desenvolve a partir da ótica do psicopata com duas personalidades díspares (como o médico e o monstro) tentando levar uma vida normal. O foco está no sofrimento, que o vício e as taras a que os seres humanos estão sujeitos, pode ocasionar, independente do prazer que eles proporcionam.
Filmes interessantes nos fazem ficar pensando neles, ainda que sem querer. Por isso concluí que esse é do tipo que vale a pena assistir. Mesmo encontrando uma detetive que é a Demi Moore parecendo fazer o papel de Jodi Foster em Silêncio dos Inocentes. Nada se inventa, tudo se copia, diz o sábio ditado.
Passou uma semana e estive numa pizza de sábado com meus pais e foi comentado o artigo da semana de Arnaldo Jabor em que ele, da forma magistral que seu talento permite, expõe sua opinião acerca do caso do Padre Júlio Lancelotti e pedofilia. O texto dele pode e deve ser lido aqui. Resumo que ele considera a castidade,que a Igreja Católica exige, como responsável por parte dos desvios que encontramos na história nada inédita de pedofilia entre padres. E eu extrapolo acrescentando que o homossexualismo, também bastante encontrado na instituição (me vem em mente um padre famoso que é desnecessário citar), também seria mais presente devido a castidade imposta. Acrescento, com cuidado apenas, que o homossexualismo pode ser tomado como um desvio, por não ser o comportamento comum, da maioria; no entanto, não causa mal, nem sofrimento a ninguém a não ser ao próprio homossexual devido à pressão exercida pelo preconceito. O fato é que poucos são os padres (e porque não dizer freiras!) que convivem bem com sua sexualidade, pois isso não é permitido a eles(as). Padres não possuem sexualidade e isso é um mito que não convence mais ninguém, pois eles são primordialmente seres humanos. É difícil encontrar um padre bem resolvido nesse aspecto, embora eu mesma conheça um que admiro bastante.
Como o próprio Arnaldo Jabor, a mim não cabe julgar o Pe. Júlio. Eu não sei (você sabe?) daquilo o que é verdade ou não, embora reconheça que tudo parece esquisito demais. Também penso que, mais do que a castidade, a degenerada e doente relação entre sexualidade e religião que a Igreja Católica estabelece é, na verdade, o fator responsável por existir entre os membros (ops...) tantos desvios do normal. Mas minha visão é um pouco diferente do famoso cronista. Entendo que as pessoas que possuem essas taras ou desvios, encontram na vida abarrotada de regras (todo psicopata necessita de regras rígidas para viver) da Igreja Católica uma chance de viver nos trilhos, de imaginar que o monstro não será externado, ou se for, as preces e a instituição tornarão encobertos pecados terríveis a que eles, seres mortais, estão sujeitos (considerando o corporativismo que o Jabor sentiu e citou em sua crônica). Não acredito que o meio transforma a pessoa, mas sim que o meio é um ímã para esse tipo de indivíduo com determinada predisposição a esses comportamentos. São pessoas que acreditam que a vida de matrimônio com Deus dará a eles, pobres cidadãos comuns cheios de neuras e de fraquezas, o passaporte para a vida eterna.
Amém.
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Um beijo, um tanto ácido para um domingo de manhã.
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TiTa.
PS:Espero que o leitor compreenda que não generalizo e não considero todos membros da Igreja Católica como doentes, apenas julgo doentes as leis impostas por ela.

terça-feira, outubro 23, 2007

Mais uma inédita opinião.


Tropa de Elite foi o filme de final de semana. Sei que o assunto está já massacrado por críticas ou comentários em blogues, mas não resisto. O filme é um chacoalhão, mesmo o assunto já estando desgastado, com licença, vou comentar!
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Com uma mostra rolando em São Paulo, eu, privilegiada moradora do interior do estado fui assistir uma cópia NÃO pirata do filme. Gostei muito, pela atuação não menos que brilhante de todo o elenco. Wagner Moura totalmente convincente. Tão adequado que facilmente o personagem seria Capitão Moura ou Capitão Wagner ao invés de Capitão Nascimento.
Mostrar a verdade, a verdade que todo mundo sabe. Mas ter coragem de colocar numa telona de cinemark é coisa no mínimo ousada.
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O filme me remeteu a duas situações de minha vida:
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Uma eu era sexto-anista de medicina atendendo no INCOR, SP. Hospital que na época era exclusivamente do SUS. Atendimento de estudante interessada costuma ser primoroso e se com a retaguarda de um médico experiente fica 100%. A senhora muito educada colocou, ao final da consulta, no bolso de meu jaleco R$50,00, pelo belo atendimento a seu esposo em situação de emergência. Fiquei sem graça, mas retirei quase no mesmo movimento o que ela pôs em meu bolso, tentando explicar que todos que estavam lá não esperavam nada daquilo e faziam o que faziam conscientes de que nada daquilo era preciso. Claro que depois fiquei pensando na grana e como ela seria útil para uma estudante, que por ser daUSP, recebia ainda um salário com médica interna (acho que isso não existe mais). Cinquenta pilas na época era um dinheirinho, há pouco mais de dez anos, pagava bem mais que uma consulta de convênio e mais até que algumas consultas particulares. Ainda sou funcionária pública e às vezes sinto um agradecimento exacerbado pela parte do doente quando atendo no hospital público, e não falta para um médico ouvir o famoso:"Deus lhe pague", que costumo remendar com: "Não se incomode, já sou remunerada para isso!", pra descontrair o doente, totalmente ciente que o estado está um pouco longe de remunerar com dignidade médicos(e enfermeiros, e prefessores e etc...)...rsrs.
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A segunda situação se deu há uns cinco anos atrás. Na rua do berçário que meus filhos frequentavam havia mais outra pré-escola. E na outra o policiamento era ostensivo, nitidamente diferente. Certa vez perguntei ao porteiro se algo havia acontecido na escola vizinha, tamanho assédio de policias que sempre existia lá. O porteiro me explicou o que eu poderia supor, mas até então não havia realizado. A escola dos meus troianos não pagava graninha extra para a polícia. Me caiu pesada aquela informação, mas me deu um alívio enorme saber que as donas da escola que eu escolhi para meus filhos frequentarem, assim como eu, não entrava no SISTEMA.
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Beijo, se você ainda não viu o filme, não perca mais tempo!
TiTa.
PS: 1 - A gente tenta evitar o sistema, mas não há tanto que ficar julgando. Mesmo tendo algumas idéias claras de ética, por vezes se escorrega. O assunto é mui delicado, e combater tudo com o politicamente correto é nauseante.
2 - Não uso drogas ilícitas, nunca usei e tenho certeza que um dos motivos por não ter usado é justamente o acesso escuso a droga. Para mim Droga se compra na Drogaria. Legalize já diz a canção, e eu entro no coro.

quinta-feira, março 22, 2007

Borat

Nessa tarde assisti Borat: Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão ( Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan). Dei risada, não vou negar. No entanto o que sobressaiu, foi a sensação de desconforto de estar fazendo muito pouco caso com questões sérias demais. Bem eu, uma menina que adora fazer graça. Sempre tenho uma tirada, do tipo que perde o amigo mas não perde a piada... Pois é, mas me chocou o filme por tratar a diferença cultural sem o respeito necessário. E também a homossexualidade, a religião, o sexismo, a ignorância, a deficiência mental e etc.
Pode ser motivando mesmo esse desconforto que ele, Sacha Baron Cohen (cidadão inglês) - o Borat, busca levantar questões e cutucar nações e culturas. Mas sinceramente achei que ele quis "causar" de uma forma muito primitiva e ingênua, ainda que genuína.
Ele filmou pessoas que não sabiam que estavam sendo filmadas e suas reações no mínimo espontâneas. Isso não é lá muito legal se ele não obteve permissão para usar a imagem dessas mesmas pessoas. E ainda querer ganhar muito dinheiro em cima disso tudo? Li em um site que a polícia foi chamada mais de 90 vezes durante as filmagens.

Voltando ao assunto cifrão, tomara que ele ganhe muito dinheiro. Será necessário para pagar o legado de processos que o filme deixou.


E você, gostou?
um beijo,
Tita.

segunda-feira, março 05, 2007

Pecados Íntimos



Em inglês, o filme americano dirigido por Todd Field, cujo nome "Little Children" teve a tradução para o português deturpada, causando tanto desconforto em mentes brasileiras já massacradas pelo tino comercial que insiste em dominar esse universo de traduções. Achar um nome para uma obra não é lá uma tarefa fácil. Um nome que seja conciso, forte e ainda indique o caminho a se percorrer é realmente difícil. Depois que ele foi encontrado, parece que circunda a peça, conferindo um começo e fim, por vezes justificando os meios. É interessante, pois nem para darmos nome a um filho temos esse poder, de invólucro protetor e propagador, em nossas mãos.

Posto isso, concordo com a maioria de críticas em que sente falta das "Crianças pequeninas" que o filme faz alusão, onde a ingenuidade da infância é trocada por algo tão contrário quanto aos Pecados Íntimos, que todo ser humano é susceptível. E concordei principalmente com as palavras de Fabiane Secches (que eu não sei quem é,mas li num site da internet):"As pequenas crianças do filme não estão correndo nos parques, ou sendo embaladas nos balanços, ou brincando na piscina... as pequenas crianças do título estão aprisionadas em seus corpos de adultos.". E é essa a questão. Ou uma delas, pois essa é a graça do filme, o que me atraiu e o que me atrai. A capacidade que a arte tem de nos fazer pensar, questionar, divagar e até modificar.
Entendo que vejo as pessoas nas ruas e não consigo acertar o que há por detrás de cada sorriso, de cada nariz, de cada cara feia, de cada cabelo ondulado castanho ou vermelho. Apenas posso imaginar. Mas reconheço duas coisas(e já escrevi sobre isso): que adoro exercitar esse hábito de pensar na vida do outro a partir do que ele me dá e também que há a total possibilidade de ser algo bem diferente do que transparece.

Assim, no filme tudo está fortemente caracterizado para que possa ser transmitido de forma satisfatória a nós espectadores. Mas é clara a necessidade de estigmatização dos personagens e isso me irrita um pouco. Tudo bem, perdoo, pois ainda assim classifico o filme como excelente.

A antropóloga insistindo erroneamente em exercer a maternidade na sua plenitude e se frustrando, o advogado que não consegue passar no exame de Ordem simplesmente porque não quer ser um advogado(e não assume isso a si mesmo e a sua mulher), as mulheres mães que passam as manhãs no parquinho falando da vida dos outros, se esquecendo de olhar para as próprias. A inércia da vida e a necessidade de sempre checarmos o caminho que estamos seguindo. Se não seria tempo de modificá-lo para ficar mais prazeroso e mais com a nossa cara.

E o ponto principal que afeta mais de 70% (estatística essa por mim levantada, sem fundamento científico nenhum!) da vida de casal: A falta de COMUNICAÇÃO e a falta de SINCERIDADE que assumimos, a ponto de, por vezes, pararmos de estabelecer comunicação entre a gente mesmo (isso mesmo, colocar o nosso tico para conversar com o teco)e de sermos sinceros com nossas reais vontades e virtudes.

Aí está o Pecado Íntimo de cada um.

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Agora alguns detalhes:

Fiquei com muita vontade de participar de grupo mensal de discussão sobre algum livro, como elas fazem com Madame Bovary(e claro, não é por acaso). Quando vi as mais velhas, com pensamento bem mais progressistas que a "novata" nova e reacionária, achei engraçado. E esperado.

Quis ter uma piscina pública de qualidade boa aqui por perto para poder ir com os troianos, já que o calor aqui é infernal e eu, assim como eles, amo piscina. E se, por acaso, a piscina fosse frequentada por um pai exatamente como aquele seria algo próximo do paraíso, e eu também iria toda tarde:). Faria até um exame dermatológico para detecção de frieiras para ser aprovada se preciso fosse.

Aquelas bonequinhos com toda ingenuidade que suportam e os relógios batendo impiedosamente escancarando o tempo que se recusa a parar, foram perfeitos para abrir o filme e entendermos o teor dele, que se dane a tradução!
E agora penso no gesto simbólico do tarado do filme(sim, tem um pedófilo ou coisa que o valha) de quebrar todos os relógios em determinado momento: Ali ele estava mostrando que para ele, como para a maioria dos personagens, o tempo não passou, não podia passar. Eles queriam viver na inocência da infância, onde se quer tudo, na mesma hora, mesmo sem nem saber o porquê. E os seres humanos, nas suas taras primordiais, buscando esse prazer imediato.


um beijo,
depois me contem o que acharam do filme!

TiTa

domingo, novembro 26, 2006

O Céu de Suely: "Give up my life, my heart, my own"


A mínima foto é só para salientar a grandeza do filme
Acabo de chegar do cinema. Filme brasileiro, O Céu de Suely . Entrem no link e assistam o trailer( digo mais escutem a trilha sonora se possível), vejam se eu estou exagerando...Talvez esteja, mas agora, nesse momento, tenho certeza que não é exagero. De longe, o melhor filme que vi nos últimos meses. Tocante, sensível e sensual. À flor da pele. Atores que parecem ser eles mesmos, como deve ser. Música que abre, para mim é uma versão de Everything I Own de Boy George. Até agora não sei se é, mas se não for, é muito parecida. E já tá muito pra mim ter identificado esse fato ou coincidência.
Hermila Guedes é a atriz principal e só o Hermila ( o nome e a atriz) já é puro charme. Ela faz Hermila (coloquem um acento agudo no "e" para dar o toque nordestino). João Miguel, sendo João, está muito bem também (aliás ele está imperdível em Cinema, Aspirinas e Urubus). É de uma simplicidade, e por isso tão interessante. Colocar todos os personagens com seus verdadeiros nomes é o obvio que conquista. Quero dizer que o óbvio é difícil de encontrar por vezes,nos acostumamos a tentar elaborar demais. Mas aqui, na simplicidade e na pureza, o diretor nos atinge em cheio.
Uma desilusão amorosa que conduz uma vida, que muda a personalidade e tenta se traduzir em força o que é a fraqueza. E a partir daí ela não saberá fraquejar nunca mais. Ela não saberá amar nunca mais. São lindas demais a fotografia, as cenas, a música, no que elas têm a nos oferecer. Não sei dizer tecnicamente o que acontece com a filmagem, a maneira que o filme é rodado, mas me comove por muitas vezes. Tocante, muito tocante.
Não sei se já ficou claro, mas aí está um filme que eu recomendo. Vá forte!
Boa noite!
Tita
P.S.:Engraçado, mas depois de ver o trailer desse O céu de Suely (quando assisti Volver) e de ler em um blog o comichão do assita logo me pegou. E nesse blog a moça conta que topou com uma "celebridade" no cinema. E o mais engraçado é que a celebridade respondeu ao tópico dela no blog(até agora não sei se é verdade que o cara mesmo respondeu!). Na saída encontrei com Marcelo Rubens Paiva. Será que ele vai googlar o nome dele e ler o que eu escrevi? Oh céus!
Hoje (30/11/06) li a coluna de Contardo Calligaris na folha que fala do filme. Me deu vontade de deixar o link aqui : http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2311200632.htm

quinta-feira, novembro 16, 2006

Little Miss Sunshine

Nem de longe esse povo é normal...


"Criança não trabalha,
criança dá trabalho."


Essa frase, de uma música cantada pelo Palavra Cantada é de Arnaldo Antunes e Paulo Tatit, resume absolutamente bem a função da criança na família. E ela cai como uma luva para o filme que escolhi para assistir na noite do feriado: Pequena Miss Sunshine, ou "Little Miss Sunshine". Minha amiga cor-de-rosa falou para eu ir assistir, disse ser o filme a minha cara (agora que já vi fico até um pouco assustada...). Senhorita Mirliton colocou em seu blog, suas impressões sobre o filme, recomendando fortemente a todos que assistissem. Lá fui eu .Trata-se de uma família que, dificilmente, não podemos estabelecer algum grau de identificação. O famoso de perto ninguém é normal. E não é mesmo...Pobre de quem teima achar que é.
A família em fiasco composta por um pai que pensa ter no programa de auto-ajuda que criou a "solução de todos seus problemas" no melhor estilo Tabajara(da tabajara's corporation). Cria-se uma metalinguagem interessante, na sua idéia de auto-ajuda ele será enfim salvo. E, em não dando certo seu projeto, aposta na sua garota de 7 anos a chance de virar a mesa e finalmente deixar de ser um "loser". Muito além do que é possível foi feito para que eles chegassem até a cidade sede do concurso em tempo hábil. E, em lá chegando, percebem o equívoco. Esses mini talentos infantis
são mesmo um show de non-sense, uma violência a natureza da criança. O show da nossa atriz mirim só vem reforçar a violência que isso tudo representa. É para afrontar mesmo e para mostrar que não há diferença entre o show dela e o das outras meninhas precoces que lá estavam. É tudo um despropósito.
Ou como diria meu pai, pediatra acostumado ao convívio familiar diverso, tem mãe(ou pai) que é duro de se criar. Não é?
Um beijo,
Tita

segunda-feira, novembro 13, 2006

Os Infiltrados


Esse foi o meu filme do domingão. Estréia nacional do dito nesse final de semana. Logo, além de mim e do Carlão, metade da torcida do Corinthians e a outra metade da torcida do São Paulo(tri feliz, aliás!) estava lá no cinemark naquela fila tipo cobra sem fim que se instala uma hora antes da sessão. Estou ficando craque nessas filas , já que tenho conseguido ir ao cinema aos domingos de noite. Então, o que se vê, além de casaisinhos adolescentes em pleno "love" dando "uns malhos"(acho tão engraçado esse termo totalmente anos 80, remete malhar o Judas...) como estivessem se despedindo para ir para guerra, são rapazes ou homens atacando seus pacotes de pipocas com as bocas no melhor estilo comercial de bonzo. Embalagens gigantes de pipoca(com manteiga-argh!), somadas ao balde de coca-cola são suficientes para deixar qualquer bípede sem modos nenhum, atacando seu quitute como o bom troglodita do paleolítico, mas penso que no paleolítico as pipocas eram servidas em cumbucas feitas de folha de banananeiras e ficavam no solo mesmo. Nossa, hoje estou ramificando meu pensamento mais do que nunca. Escusa, tá? Outro detalhe da fila é aquele que tenta puxar conversa com você. Não tenho nada contra, acho até que tenho uma cara de responsiva a esse tipo de abordagem, mas convenhamos, nosso círculo de amigos já está grande o suficiente. Ou não? Enfim, vale tudo para ver aqueles minutinhos passarem mais rápido.
Sim, agora vou falar do filme, mas devo colocar com muito cuidado, pois temo que minhas impressões possam comprometer o bom andamento da sessão de quem não viu ainda. E de longe quero ser uma estraga prazeres...
Falarei irrelevâncias, então. A primeira, que justifica eu ter escolhido esse cartaz para abrir o texto, foi que, assim que aparece o Leonardo diCaprio na telona eu tenho um "deja vu" terrível...Carlão não parece com o Jandro??? Nossa, ele á a cara do Jandro!rsrsr... Jandro é o nosso zelador, que apesar de atender queixas de infiltrações(oh! que horrível!) nada tem a ver com o filme. Engraçado, fico pensando no zelador, que de prima eu achava que tinha pinta de cantor de sertaneja, tipo Leandro e Leonardo. Agora está parecido com o "Leo"... Bem, nada de similares de Giseles no prédio!
A segunda observação é como se fuma no filme. O nível de nicotina é altíssimo pricipalmente no setor dos maus elementos. Chega a ser até ser parte do figurino. Policial fuma pouco ou não fuma. A bandidagem fuma desconcertada e seguidamente. Achei engraçado o comentário da menina na saída, quando eu já estava aliviando o joelho. "Meu! Não posso ver filme assim!". Eu de dentro do gabinete formo uma interrrogação na cabeça, mas meu primeiro impulso foi pensar na quantidade de bala por centímetro rodado, que nada. A amiga rebate com "O quê?" e ela diz que tem muito nego fumando em cena e dá uma larica desgramada de cigarro, bem ela que havia parado há treze dias estava louca por uma tragada. Lavo minhas mão pensando no poder de sugestão das imagens, todas elas. É, ou não é, uma afronta eles ordenando nada subliminarmente a massa desenfreada comprar pipocas? Nessa sessão, eu resisti. Mas confesso que depois que descobri que o cinemark tem pipocas doces delicosas é muito mais difícil esse exercício de resistência.
Outra observação que vale o filme é a atuação do Jack Nickolson, um traficante velho tarado cheio de poder. Li que ele de início recusou o papel mas depois aceitou pensando ser uma boa oportunidade fazer um vilão, já que seus últimos papéis eram de comédia. Quem disse que ele não está hilário(para usar um adjetivo bem batido em crítica de comédias) como Frank Costello?
No mais eu gostaria de dizer meus ácidos comentários principalmente sobre a psiquiatra, mas receio mesmo contar o filme ao incauto leitor do blog, então me esquivo. Termino dizendo que no próximo final de semana eu escolherei a estréia que "
VOLVER". Tá bom, trocadalho terrível. Mas estou toda ruinzinha hoje.

Beijo!
Tita.

segunda-feira, outubro 23, 2006

"Distraídos venceremos"(O Diabo Veste Prada)


Cinema de domingo a noite garantido
Ontem foi a vez de "O Diabo Veste Prada", uma adaptação de um livro de mesmo nome que é best seller. O filme é bom, pois tem uma trilha sonora interessante, um figurino chique (no mínimo), atores bonitos e desempenhando bem sua função. Anne Hathaway faz Andrea Sachs, assistente de uma megera(niguém melhor que Meryl Strep para fazer a editora-chefe Miranda Pristley, uma Cruela Cruel - há até a referência quando ela está numa festa com um casaco que lembra a pele de dálmatas) que se vê num emprego altamente cobiçado por outras pessoas, mas que na cabeça dela nunca havia passado. Ela aposta nesse emprego para chegar ao seu objetivo. A atriz é bonita e, engraçado, me faz lembrar a todo momento uma mistura de duas brasileiras, a Daniela Cicareli e a Luciana Gimenez. No entanto, na verdade a brasileira que atua no filme é a já cidadã do mundo Gisele Bündchen que tem um ar nada brasileiro e sim totalmente europeu. Brasil e todas suas caras.
Pessoas capazes vão se dar bem onde estiverem e para fazer o que quiserem. Basta ter determinação. A moça emagrece, muda o visual, se preocupa com coisas que eram totalmente desnecessárias para ela. Tudo porque há nela, como há em grande parte das pessoas, essa necessidade de vencer desafios e atingir metas, se preocupando pouco com o acesso a conquista e muito com a conquista em si, com a vitória. Delineamos nossa vida, nossos objetivos em algum momento e então começamos. De certa forma, ligamos o piloto automático e vamos fazendo o que precisa ser feito da forma que se exige ser feito para que a gente chegue no tal objetivo. Aprendemos rápido. Esquecendo que cada vez que seguimos , estamos, sim, fazendo escolhas. Muitas vezes a atriz diz "mas eu não tinha escolha" para se justificar, para mostrar aos outros o que ela não queria ver. A gente SEMPRE tem escolhas e não adianta tentar negá-las. Se nos sentimos sem alternativa é porque estamos com o piloto automático dirigindo a vida. Se faz necessário parar para pensar melhor e enxergar como deve ser visto, a vida com suas muitas possibilidades.
Minha forma de viver vai totalmente de acordo com a máxima de Paulo Leminski(que aliás, me é muito inspirador), que abre esse texto. Eu de fato acho que venceremos independente da preocupação com o resultado positivo. Na verdade pode haver, sim, uma preocupação com a forma de se chegar ao resultado que não deve ir contra nossos princípios e deve genuinamente nos fazer feliz, isso por si só já é a vitória.
Meu beijo e meu carinho...
Tita.
PS: Odeio quando o que escrevo fica com essa cara de auto-ajuda. Não interpretem dessa forma, ok?

quarta-feira, setembro 13, 2006

Com licença, vou divagar. (Contato)

Quando decidi dar esse estranho nome ao meu blog é porque eu não sabia o motivo de iniciar um blog e meio de brincadeira jogava a questão para um possível interlocutor. No entanto, esse nome diz muito sobre mim. Uma profunda conhecedora sobre nada e uma rasa conhecedora de tudo. Talvez por esse meu espírito de curiosidade descubro coisas não importantes. Bem, algumas importantes também. E devido minha baixa capacidade de guardar qualquer tipo de informação, muitas vezes o antigo se torna novo, de novo. Sempre uma descoberta. Não tenho medo de colocar a pergunta pra quem quer que seja, mesmo que ela seja banal. Muito bem. Há também em mim um sentimento de que conheço pouco e que posso sempre aprender. Há interesse, mas não um interesse exaustivo. Contento-me com respostas vagas e com “não seis”. Pois há muito mais para não saber do que para saber nessa que chamamos de vida terrena. Por aí movem meus moinhos. E a falta de explicação se torna uma clara reposta. Não preciso de mais.

Nessa linha de raciocínio, assisti ontem a CONTATO (Contact), um filme com a inteligentíssima e linda Jodie Foster e Matthew McConaughey baseado num livro de mesmo nome de Carl Sagan. Um filme de ficção que por si só já poderia representar pra mim um grande passo ter assistido, pois costumo fazer caretas mentais quando o filme é classificado como de ficção e até costumava recusar a assistir. Enfim, é ficção, mas poderia não ser. Tudo está explicado. A mente humana suporta e comporta qualquer tipo de justificativa. Ela faz uma cientista no sentido mais cético de um cientista e ele faz um ex aspirante a padre que representa a religião e a fé. Pólos opostos que se atraem (parece que no filme foi criado um romance real onde no livro só se deixava a desejar) e se complementam. Um precisa do outro e um encontra resposta no outro. Basta querer ver. A dica de assistir ao filme recebi de uma amiga cor-de-rosa que por sinal aniversariou ontem(parabéns!).
Deixo aqui um trecho do filme:
-“Existem 400 bilhões de estrelas só na nossa galáxia. Se apenas uma em um milhão tiver planetas, e se uma em um milhão dessas tiver vida, e se uma em um milhão dessas tiver vida inteligente deve haver literalmente milhões de civilizações no universo.”
-“Se não houvesse seria um tremendo desperdício de espaço.”

segunda-feira, agosto 14, 2006

Zuzu Angel

Ontem fomos ao cinema, assistir ao filme que tive a impressão que demorou a ser feito. Na verdade, pelo que li, já era uma idéia que existia há mais de 20 anos. Me impressionei com o poder criativo dessa mulher da classe média que almejava de início apenas a sobrevivência digna. Mineira(nascida em 1921, mesmo ano que minha avó) que morou alguns anos na Bahia, se instalou por definitivo no Rio de Janeiro em 1947, onde viveu até 1976, ano do seu assassinato. Casou-se com um americano "porra- louca" e omisso e se separou ainda com filhos pequenos. Daí, sua necessidade de subsistência. O que ocorre é que seu filho Stuart (o Tuti), único menino e caçula de três filhos, embrenhou-se desde muito novo (10 anos cita o filme) na luta por seus direitos e ideais. O problema é que isso se deu na década de 70, época essa que todos sabemos, vivíamos sobre um governo militar, e defender seus direitos e ideais era ato subversivo da pior qualidade.
Sentiu-se mal por não ter apoiado seu filho em sua luta desde o início e depois se mostrou tão corajosa quanto ele - "Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade", disse ela.
O filme vale pela atuação da Patrícia Pillar e do ótimo Daniel de Oliveira. Pela Elke Maravilha(oh, imortal!) e posso dizer que também pela Luana Piovani. Vale pelo figurino maravilhoso, que nos dá uma idéia de onde a cabeça dela poderia alcançar. E o quanto de fato era e é revolucionária. No entanto, saí com a sensação de que a angústia que ela viveu na repressão não foi transmitida com a devida fidelidade. Não se mostrou nada em relação a sua preocupação no movimento criativo de não ser censurada em suas peças...Ou será que isso não existiu? Ela poderia usar de fato as cores e combinações que quisesse sem nenhuma interferência da censura? Ela sabia-se grampeada e cheia de escutas em casa, mas em nenhum momento isso foi mostrado, esse receio de ser público; e para a pior gente, seus inimigos, seus diálogos e até pensamentos. Assim é que se vivia na época, pessoas que muito menos faziam viviam com esse peso.

Mas tem algo que me diverte muito. Eu tenho prazer em ouvir no final de uma sessão de cinema ou teatro os pareceres dos que também assistiram. Raras vezes sábios, muitas vezes equivocados e na maioria das vezes hilários. Ontem, a mocinha de quase vinte anos conversa com o namorado na saída. Eu gostei, disse ela. Ele verifica: "triste, né?". Ela complementa com um : "Sei lá, mas o que eu queria é que tivesse justiça no final". Pobre moça, ela sem dúvida está acostumada com filmes norte-americanos. E ela não sabe nada de história de Brasil. Isso me assusta pois não estamos falando de um passado muito remoto. É algo muito recente que ainda mostra muitas cicatrizes sangrantes. Não é à toa que se ouve: coloquem os militares na rua de novo! Tremo na base e constato, irremediada, que essas pessoas não podem saber sobre o que estão falando, sobre o que estão pedindo.

Agora, o filme se fecha com muita justiça sim, com a linda canção Angélica, que Chico Buarque fez para a própria anos depois de sua morte. Prá lembrar que algumas pessoas conseguiam, da sua forma, se expressar e tentar levar o Brasil prá frente. E que essas pessoas ainda estão vivas e fazendo história. É tudo muito recente, minha gente.


Sobre o filme no site: www.zuzuangelofilme.com.br , onde também se escuta a toada triste da canção do Chico.

Angelica

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse estribilho
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar

Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento
Só queria lembrar o tormento
Que fez o meu filho suspirar

Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar

Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino
Queria cantar por meu menino
Que ele já não pode mais cantar