sábado, março 10, 2007

Vou te contar



O fato é que ninguém, nem mesmo Lorena Mascarenhas a própria, sabia explicar o motivo de tamanha devoção, e a promessa nela guardada, pela letra G. O mesmo G de gorda e gordura que ela tanto recusava era amado com força proporcionalmente oposta e igualmente intensa. Havia um mistério, quiçá gozoso, que a aproximava daqueles que carregavam a letra em seu primeiro nome. A Gláucia era uma boa amiga, a Graça fazia suas unhas como ninguém, a Geisa era uma vizinha que valia a aproximação. Com homens não era diferente. Ousou experimentar outros, mas Gilbertos, Guilhermes, Gualbertos e até Guaracy faziam melhor. Ela mística e intuitivamente sabia.


Vibrava, sem nenhuma lógica, ao escrever o G maiúsculo ou minúsculo, onde colocava um volteio inferior tão redondo quanto o engano daquele suposto amor. E caprichava na forma de gota explícita que se formava quando escrevia com a caneta bic vulgar e gostosa. Gostosa como o G.


Custou a acreditar naquele Roberto que se apresentou encantado por ela na saída do cinema. Não cria na possibilidade de prazer, mas não comentou esses pormenores com ele.


Depois, já irreversivelmente envolvida, pôde entender. O Godói do sobrenome justificaria a paixão e a selaria para sempre. Assinaria Lorena Mascarenhas de Godói, conferindo a compleição que buscava. Segura e inútil certeza.




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Agora, eu conto diferente: eu amo a letra G mesmo.


Niguém pode explicar.


beijo,


tita

sexta-feira, março 09, 2007

Divulgação,

Nazareno's photostream, festa de iemanjá, no flickr


E não apenas divulgação, mas uma espécie de anunciamento das coisas boas que encontro. E desperta esse sentimento de compartilhamento. Na verdade, são as coisas que chegam, sem cerimônia, e me dão um encontrão. Basta permitir, manter os poros abertos. Então ao correr os olhos por certas letrinhas ecoa o som do sentimento que é universal e que é dela, mas também é meu. Talvez já tenha falado dele, à minha maneira. E poderia estar transcrevendo um Leminski, um Carlos Drummond de Andrade ou um outro desses super especiais.
Mas na maneira dela (clique em dela e saberá melhor) ficou muito bacana:
"O que grita já me cala. Se avoluma e se derrama sobre o ócio,
sobre o óbvio, o evidente.
Brio de amor em transe, ébrio desfecho, desterro, despacho pra Iemanjá.
Somos inevitáveis, eu e os dias.
Somos constantes, eu e o corte que não se trata com um remédio da estante.
Somos gigantes, eu e as dores maceradas pela angústia da saliva doce.
Somos infinitos. E ínfimos. E tolos.
Somos vulgares."
Gio é iluminada e ponto.
Para vocês, um ótimo final de semana cheio de sOl.
um beijo,
TiTa

quinta-feira, março 08, 2007

Onde foi parar?



Xilogravura (sem título) de Alberto Martins, um santista. Como eu.


Férias de um dia na semana. Peculiar. Debruçar sobre a vida e, na falta da atividade corriqueira, pensar sobre o que poderia ser corriqueiro. Quase não achar o que é seu, e se perder. Tão diverso, tão sofrido, tão sério. Tão corriqueiro. O espelho, cego e mudo, se esforça: nada a declarar.

Sim, e ter o prazer de receber hoje o espetáculo Stapafurdyio, circo roda Brasil dos Parlapatões, na cidade. Lendo no site acabo de descobrir que quem faz a trilha é André Abujamra...


Me animo... Hum, muito muito bom!


"Alegria é quando tem um circo dentro do coração da gente", diz ainda a frase do Mario Quintana no site do circo roda brasil. Eu, queira sim ou queira não, tenho palhaços por dentro;



um beijo,


TiTa




segunda-feira, março 05, 2007

Eclipse




E naquela da lua se esconder


parece que encontrei


no eclipse do olhar


o que eu sequer havia perdido,


porque antes não havia ganhado.
....
né não?
beijo
TiTa

Pecados Íntimos



Em inglês, o filme americano dirigido por Todd Field, cujo nome "Little Children" teve a tradução para o português deturpada, causando tanto desconforto em mentes brasileiras já massacradas pelo tino comercial que insiste em dominar esse universo de traduções. Achar um nome para uma obra não é lá uma tarefa fácil. Um nome que seja conciso, forte e ainda indique o caminho a se percorrer é realmente difícil. Depois que ele foi encontrado, parece que circunda a peça, conferindo um começo e fim, por vezes justificando os meios. É interessante, pois nem para darmos nome a um filho temos esse poder, de invólucro protetor e propagador, em nossas mãos.

Posto isso, concordo com a maioria de críticas em que sente falta das "Crianças pequeninas" que o filme faz alusão, onde a ingenuidade da infância é trocada por algo tão contrário quanto aos Pecados Íntimos, que todo ser humano é susceptível. E concordei principalmente com as palavras de Fabiane Secches (que eu não sei quem é,mas li num site da internet):"As pequenas crianças do filme não estão correndo nos parques, ou sendo embaladas nos balanços, ou brincando na piscina... as pequenas crianças do título estão aprisionadas em seus corpos de adultos.". E é essa a questão. Ou uma delas, pois essa é a graça do filme, o que me atraiu e o que me atrai. A capacidade que a arte tem de nos fazer pensar, questionar, divagar e até modificar.
Entendo que vejo as pessoas nas ruas e não consigo acertar o que há por detrás de cada sorriso, de cada nariz, de cada cara feia, de cada cabelo ondulado castanho ou vermelho. Apenas posso imaginar. Mas reconheço duas coisas(e já escrevi sobre isso): que adoro exercitar esse hábito de pensar na vida do outro a partir do que ele me dá e também que há a total possibilidade de ser algo bem diferente do que transparece.

Assim, no filme tudo está fortemente caracterizado para que possa ser transmitido de forma satisfatória a nós espectadores. Mas é clara a necessidade de estigmatização dos personagens e isso me irrita um pouco. Tudo bem, perdoo, pois ainda assim classifico o filme como excelente.

A antropóloga insistindo erroneamente em exercer a maternidade na sua plenitude e se frustrando, o advogado que não consegue passar no exame de Ordem simplesmente porque não quer ser um advogado(e não assume isso a si mesmo e a sua mulher), as mulheres mães que passam as manhãs no parquinho falando da vida dos outros, se esquecendo de olhar para as próprias. A inércia da vida e a necessidade de sempre checarmos o caminho que estamos seguindo. Se não seria tempo de modificá-lo para ficar mais prazeroso e mais com a nossa cara.

E o ponto principal que afeta mais de 70% (estatística essa por mim levantada, sem fundamento científico nenhum!) da vida de casal: A falta de COMUNICAÇÃO e a falta de SINCERIDADE que assumimos, a ponto de, por vezes, pararmos de estabelecer comunicação entre a gente mesmo (isso mesmo, colocar o nosso tico para conversar com o teco)e de sermos sinceros com nossas reais vontades e virtudes.

Aí está o Pecado Íntimo de cada um.

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Agora alguns detalhes:

Fiquei com muita vontade de participar de grupo mensal de discussão sobre algum livro, como elas fazem com Madame Bovary(e claro, não é por acaso). Quando vi as mais velhas, com pensamento bem mais progressistas que a "novata" nova e reacionária, achei engraçado. E esperado.

Quis ter uma piscina pública de qualidade boa aqui por perto para poder ir com os troianos, já que o calor aqui é infernal e eu, assim como eles, amo piscina. E se, por acaso, a piscina fosse frequentada por um pai exatamente como aquele seria algo próximo do paraíso, e eu também iria toda tarde:). Faria até um exame dermatológico para detecção de frieiras para ser aprovada se preciso fosse.

Aquelas bonequinhos com toda ingenuidade que suportam e os relógios batendo impiedosamente escancarando o tempo que se recusa a parar, foram perfeitos para abrir o filme e entendermos o teor dele, que se dane a tradução!
E agora penso no gesto simbólico do tarado do filme(sim, tem um pedófilo ou coisa que o valha) de quebrar todos os relógios em determinado momento: Ali ele estava mostrando que para ele, como para a maioria dos personagens, o tempo não passou, não podia passar. Eles queriam viver na inocência da infância, onde se quer tudo, na mesma hora, mesmo sem nem saber o porquê. E os seres humanos, nas suas taras primordiais, buscando esse prazer imediato.


um beijo,
depois me contem o que acharam do filme!

TiTa

QUAQUAQUA

"Quáquáquáquáquá
quem riu,
Quáquáquáquáquá
fui eu!!!"

Hoje, toda risada e felicidade do mundo prá ela.
Com rá, tim, bum.
Que fique claro.

um beijo
tita

domingo, março 04, 2007

Será?


Será que eu ainda penso?
Ando pensando que está difícil

pensar como eu pensava antes.

(e daí, não só pensar.)

Mas viver é muito mais que pensar.

E de tanto viver,
parece que mal consigo pensar.




Ai, penso que estou em transe, em tranque.


...

beijo, tá louca, viu!

TiTa