
O fato é que ninguém, nem mesmo Lorena Mascarenhas a própria, sabia explicar o motivo de tamanha devoção, e a promessa nela guardada, pela letra G. O mesmo G de gorda e gordura que ela tanto recusava era amado com força proporcionalmente oposta e igualmente intensa. Havia um mistério, quiçá gozoso, que a aproximava daqueles que carregavam a letra em seu primeiro nome. A Gláucia era uma boa amiga, a Graça fazia suas unhas como ninguém, a Geisa era uma vizinha que valia a aproximação. Com homens não era diferente. Ousou experimentar outros, mas Gilbertos, Guilhermes, Gualbertos e até Guaracy faziam melhor. Ela mística e intuitivamente sabia.
Vibrava, sem nenhuma lógica, ao escrever o G maiúsculo ou minúsculo, onde colocava um volteio inferior tão redondo quanto o engano daquele suposto amor. E caprichava na forma de gota explícita que se formava quando escrevia com a caneta bic vulgar e gostosa. Gostosa como o G.
Custou a acreditar naquele Roberto que se apresentou encantado por ela na saída do cinema. Não cria na possibilidade de prazer, mas não comentou esses pormenores com ele.
Depois, já irreversivelmente envolvida, pôde entender. O Godói do sobrenome justificaria a paixão e a selaria para sempre. Assinaria Lorena Mascarenhas de Godói, conferindo a compleição que buscava. Segura e inútil certeza.
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Agora, eu conto diferente: eu amo a letra G mesmo.
Niguém pode explicar.
beijo,
tita







