sábado, julho 05, 2008

Então vamos brindar!


Lá estava eu na prosaica pizza do sábado a noite em família, tomando um suco de morango muito bem escolhido (sim,porque suco de morango escolhido é bem melhor!) e na mesa ao lado composta por seis ou oito adultos, de idades variadas, munidos de chopps claros ou escuros e eis que o primeiro ergue o punho com o copo em mãos e puxa um brinde ao "shauhdsuoasdl". Caramba não consegui entender o que estava sendo brindado!!! Até que a senhora localizada em frente a ele complementa o brinde " para que nunca mais ...studatedortraeduekdpp othn,zs!"

Então na absoluta impossibilidade de compreensão do motivo que faria a mesa brindar pensei em coisas passíveis de brinde. Desde o primordial "saúde", saudando a saúde, até um brinde a nova vida, a casa própria, ao carro novo, ao término da tese, ao noivado -quase em extinção-, a gravidez, a viagem por vir, a viagem que passou, a promoção profissional, a cirurgia bem sucedida...tantos motivos para brindar! Com ou sem álcool, já que o álcool nas mesas andam em baixa por conta dos 15 bafômetros que existem na grande São Paulo e que podem te atingir a qualquer momento, tão certeiro como um asteróide que cai do céu esquecendo de saber que seu destino era o mar.


Motivo para brindar, de verdade, não me falta. E sei também que a vida sem brindes não tem tanta graça. Confesso que achei esquisito sair hoje da festinha de criança que fomos no almoço sem as tais lembrancinhas. Nada falei, mas a troiana, ainda uma quadra distante do local da festa, disparou que achou "estranho não ter lembrancinha". Foi bom porque nenhum deles me fez passar vergonha. Só ela comentou, com a maior discrição e já há um raio maior que 500 metros, a ausência de tal sacolinha geralmente cheia de objetos inúteis e guloseimas úteis. Nada de brinde. Nem por isso a festa foi menos boa, é certo. Aliás a lembrancinha me serve muitíssimo. Já faz uns bons anos que aprendi como sair de festas infantis sem que os meus infantes demonstrem irredutibilidade quanto a minha decisão de evadir o local. Com a mãe do Biel aprendi que não devemos falar: "pegue seus sapatos que vamos embora", e sim " pegue seus sapatos e vamos pegar as lembrancinhas", estrategicamente localizadas a porta de saída e já com os menores entretidos nas tais inutilidades (por vezes tão bonitinhas, tão caprichosas!) facilmente alcançamos o nosso veículo e vamos até onde quisermos, sem maiores rebeldias.


Como não pude entender o motivo do brinde da mesa ao lado e ainda assim, me rendeu um post, no meio de uma maré de falta de tempo/assunto, devo brindar a minha Santa Curiosidade que me leva a situações e lugares por vezes esquisitos, mas de um modo geral me faz, no mínimo, mais divertida.


Muito boa, a noite. Para todos nós.


beijo,

TiTa

PS1: Se for beber não dirija. Mas não tem nada a ver com o bafômetro, e sim com reflexos diminuídos e acidentes mesmo.
PS2: Um brinde a minha mãe, que viajou até minha casa pra ficar aqui na primeira semana das férias com os troianos...e comigo também!


quinta-feira, junho 19, 2008

Trapaças


ele tenta me enganar,

ele acha que é capaz de me enganar,

disfarça, fala manso, fala baixo.

no horário do delito somos presas fáceis e deseperadas.


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Na íntegra:
Perto de oito da manhã, o grandão me liga exasperado pois não se localiza a lancheira do pequeno na hora da saída pra escola, já levemente atrasado.
Entendo a situação. Ontem ele esqueceu mochila e lancheira em casa e foi "presenteado" com um lanche da cantina...Salgadinho com refrigrante e chocolate de sobremesa, o sonho de qualquer garoto de escola! Até eu que era mais boba gostava, oras! Então ele astutamente pensou, se sumir a lancheira hoje terei lanche da cantina de novo...
Eu do outro lado da linha, eu já na ativa com uma senhora com queixa ginecológica bem na minha frente oriento o grandão a perguntar a ele onde está que ele deve sim saber da lancheira afinal não terá lanche de cantina coisa nenhuma e acabará é ficando sem lanche mesmo. Enquanto estou dando as cordenadas e explicando o que aconteceu, escuto a vozinha do magrinho que adora comer uma besteira achando a lancheira de pronto.
Agora sim, hora de ir pra escola!
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beijos,
Tita

quinta-feira, junho 12, 2008

Meu bem querer


Está sacramentado em meu coração. (já dizia Djavan)
*
Um beijo, torcendo pra que todos tenham um amor como eu tenho esse grande amor,
TiTa

sábado, junho 07, 2008

Tanta coisa


faz um tempo que o silêncio se fez, se faz.

muita coisa aconteceu e acontece.

Preciso de ócio para escrever,

Preciso é o tempo para viver.


Aponto algumas mudanças, desde março até esse junho:


*Estou mais feliz em São José (seria isso possível? Sim!).

*Comecei consultório particular aqui, ainda en-gre-nan-do, mas tudo bem.

*Compramos uma casa, pensamos em mudanças necessárias e sonhadas, contratamos arquitetos e por hora estamos quase certos que o banheiro azul marinho da nossa suíte com hidro azul royal nem é tão feio e tão difícil de acostumar...qualquer coisinha que se pensa em mexer numa casa me faz pensar que eu ao menos deveria jogar na loteria.

*Estou convencida que não sobrevivo sem empregada doméstica. Agora vou achar a certa.

*Continuo apreciando as pizzas em dias da semana. Pares ou ímpares, com qualquer tipo de lua no céu ou mesmo sem ela.

*Conheci scrapbook, me apaixonei, gastei um dinheirinho comprando coisinhas lindas que fazem outras coisinhas lindas. Já fiz três álbuns...muito prazeroso.

*Ganhei a sobrinha mais linda do mundo: Marina chegou, agora sim sou tia. Eles que se cuidem, pois como boa tia farei o possível pra "estragar" a menina:)

*Voltei a ir pra São Paulo, para os meus plantões de quinta-feira. O hospital não mudou muito nem a tividade que eu desempenho. PRECISO É O TEMPO PRA SE VIVER (trabalhar na porta de pronto-socorro oncológico me faz lembrar disso a todo minuto). Ainda tento transferir meu vínculo pra cá, uma hora sai.

*Relembrei o custo de vida alto da cidade cinza (" e suja em sua desobediência")...o cartão deve estourar nesse mês, mas São Visa que me desculpe, as coisas boas e belas de São Paulo me deixam convencida que não sei como dormia sem elas antes.

*Amizades se fazem com tempo. Apesar de pouco mais de um ano aqui já tenho bons amigos. Isso é muito bom.

* Comecei a gostar de assistir House, o médico charmoso que carrega a tristeza travestida em prepotência. Me interessa como a série disseca os relacionamentos humanos, pricipalmente na relação médico-paciente, as relações entre médicos e também como as famílias se portam frente a problemas de saúde. Deixando de lado os óbvios e necessários lugares-comuns, o doutor azedo mas muito carismático me tem feito perder algumas horas....Pensando bem dá pra escrever um compêndio sobre House. PRECISO É O TEMPO PRA SE VIVER. House briga com outro médico deizendo que ninguém morre com dignidade, e sim vive com dignidade. A morte nã deve ser digna...

*Passei por um dia das mães. Deveria ter ao menos um por mês. São tantos carinhos, tantos mimos caseiros...tanto amor....tanto amor...tanto amor!
*Fiquei mais velha, continuo com a idéia de ter o terceiro filho, mas confesso que ela fica cada vez mais remota.

*
*
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tem coisas que a gente não conta nem pra gente, né? São perigosas demais.


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Uma forma de voltar a escrever num blog é escrever como num querido diário.

Escrever num diário é uma forma de assentar a vida e transformar idéias em fatos.

* do mais? Em julho vou pra Bahia e não terei de assinar pra tomar uma água de côco ou picolé. Se isso me parece interessante, para os troianos é algo que eles contam os dias ao esperar.


um beijo, tenho saudade, podem ter certeza.

TiTa
PS: Bethinha me passou um meme que eu vou responder. em breve!

quarta-feira, março 26, 2008

Às vezes...


Vivo correndo, vivo pensando que estou despistando o tempo.

Me engano pensando que o venço o tempo a cada tarefa que consigo cumprir.

A vida bruta e o mundo cão insistem em me fazer esquecer a menina que fui.

E a menina que ainda um dia serei.

um beijo,

TiTa.

PS: Quem é que eu era mesmo? Sei lá, fiquei assim hoje.

A ilustração é de um amigo meu, Maurício Negro, casado com uma amiga minha e irmão de outra amiga e cunhado de um amigo meu. Amigos, amigos, quem vive sem eles?

Vejam que lindo o blog dele, já está nos favoritos.

E quando vejo o meu Maurício, troiano, desenhando tão bonito com sua mão esquerda penso...até que pode ter futuro:)

quarta-feira, março 05, 2008

Um suspense.

O cara parou no acostamento da rodovia.
Esperou o melhor momento para a manobra.
Quando abriu um espaço, fez a curva fechada.
Dirigiu reto, na contramão.
Buscava que alguém o buscasse.(E por que querer colocar alguém no meio? Por que esse desejo de mudar o seu destino associado a mudança na vida de outras pessoas?)
Tinham de acertar em cheio, a tangente não servia.
Deve ter imaginado seus minutos póstumos de celebridade. É a época que vivemos, a irmandade da celebridade, o big brother da vida real. Ele em filmete nos noticiários. Deu uma gargalhada pensando.
Dominar a vida através da negação da própria.
Finalmente alguém sucumbiu ao seu desejo inadequado e inexpressável até então.
Descobrir a essência desse desejo silente, que grita de maneira terminal, deve ser a razão de alguns inconformados que sobraram.
O desejo que eu não sei, e ninguém pode supor de forma coerente.
Assim como a vida, meu irmão, não é coerente.


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Vivemos, vivemos, vivemos, somos hábeis em fingir ser tudo normal.
O trânsito descabido? Normal.
A fome do nosso semelhante? Normal.
A roubalheira de alguns muitos que tem poder? Normal.
Não almoçar porque tem de trabalhar? Normal.
Comprar uma bolsa que custa 50% do seu salário? Normal.
A falta de dignidade por não se ter um trabalho? Normal
A falta de dignidade por se viver de uma bolsa sei lá do quê assistencial? Normal.
Assistir com afinco a vida de outros com um "interesse comportamental" de como o ser humano reaje no confinamento? Normal.
Querer um atestado para " se encostar" por 10 dias em casa e não ter de ir trabalhar e quem sabe até poder viajar? Normal.
Ter taquicardia quando se está parado no farol vermelho e passa um motoboy, possível assaltante? Normal.

Tratar seres humanos como animais e animais como seres humanos? Normal.

É revoltante a nossa capacidade de adaptação. E não se adaptar pode ser mais desgastante e inquietante do que se adaptar. A segunda alternativa é mais árdua e perigosa.

Pode custar a vida.

um beijo
TiTa

sábado, março 01, 2008

O brilho que se brilha


Ontem estive com uma pessoa carismática e me intrigou, na verdade me intriga, como certas pessoas possuem alguma característica que não conseguimos facilmente apontar qual é, mas podemos simplesmente sentir que está presente e constatar que existem pessoas que são assim, talvez brilhantes por natureza. Abençoadas, diriam outros. A nós nos resta o deleite da companhia. Não acho que esteja relacionado apenas a um possível sorriso verdadeiro, ou a um brilho no olhar, ou uma covinha que surge quando se move os lábios, ou ainda um levantar unilateral de sobrancelha somado a um olhar certeiro. Tampouco está associado ao QI, ou ao tipo discurso que a pessoa toma, ou ao tom de voz, ou ao sotaque especial para pronumciar uma determinada frase. Também não necessariamente podemos unir o tal carisma com o uso pessoal e particular de alguns ítens de vestimenta ou adorno - definitivo ou não. O fato é que o carisma é um enigma que o dicionário Houaiss da língua portuguesa define como uma fascinação irresistível exercida por alguém a um grupo de pessoas. Encontrar atores(atrizes) ou cantores(as)com tal adjetivo é fato mais corriqueiro, mas ontem eu reconheci esse brilho na garçonete que nos serviu num restaurante de bairro de São Paulo, muito digno de visita. E a morena brejeira que na verdade servia outro setor de mesas, mas que estava sempre disposta a ajudar quem quer que fosse, tinha essa luz. Esse quê a mais que a fará ser destaque onde quer que ela for. Tentei ler em suas atitudes o que a fazia especial. Certamente nela se enquadrava o simpático sorriso aberto e o comportamento de observar o seu próximo de forma que conseguia chegar para ajudar antes de que fosse solicitado. O problema daquele que está próximo dela era visto mais rápido que a própria pessoa o diagnosticasse e era resolvido ainda antes que o outro tivesse o desconforto de percebê-lo. Da forma que me transpareceu, pelas suas atitudes não só ligadas ao servir as mesas, essa sua característica não estava presente devido a sua profissão, embora seja natural num bom garçom encontrar essa presteza e cuidado com aquele que está ao seu redor.



Não me contive e disse a que ela era especial. Não se fui redundante, mas pessoas asssim, dentro de uma humildade gostosa, já sabem que possuem essa luz. E que de certa forma são merecedoras dela por saberem exatamente como irradiá-la.



Um beijo,

TiTa